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CINE DEBATE FA7: O lixo e o luxo na obra de Vik Muniz

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O filme revela o passo a passo do curioso processo de criação do artista plástico, além do registro de catadores em busca de oportunidades na vida

As professoras Zelfa Feitosa e Lirian Mascarenhas debateram o filme, com moderação do professor Marcos Aurélio

As professoras Zelfa Feitosa e Lirian Mascarenhas debateram o filme, com moderação do professor Marcos Aurélio

O papel da arte na sociedade, o trabalho em condições degradantes e responsabilidade social. Foram esses alguns dos temas discutidos no Cine Debate FA7, a partir do documentário ‘Lixo Extraordinário’. As doutorandas em psicologia e professoras Lirian Mascarenhas e Zelfa Feitosa foram debatedoras, e o doutor em psicologia, professor Marcos Aurélio atuou como moderador. O evento ocorreu na última sexta-feira, 20, e contou com a presença de alunos de Jornalismo, Publicidade, Pedagogia e Arquitetura, no Teatro Nila Gomes de Soárez.

O documentário dirigido por Lucy Walker e Karen Harley retrata o processo vivido pelo artista plástico Vik Muniz. Paulista, depois de uma temporada nos Estados Unidos, ele foi ao Rio de Janeiro para passar dois anos no local que, na época, era o maior aterro sanitário da América Latina, o extinto Jardim Gramacho. O objetivo de Muniz era desenhar o rosto das pessoas que trabalhavam no aterro. O curioso nas obras é o material utilizado: o reciclável. Além de mostrar o trabalho artístico, o documentário dedica-se a contar a realidade vivida pelos trabalhadores.

Para a psicóloga Zelfa Feitosa a falta de atenção das pessoas com assuntos relativos à separação do lixo e sustentabilidade é significante. Ela vê a discussão desses temas como um compromisso ético-político. É uma forma de pensar as estratégias possíveis, para a promoção da dignidade de pessoas, que trabalham em condições degradantes e como ensino do descarte correto do material reciclável.

Sobre a arte, a psicóloga diz ser fundamental nessas mudanças. “Quando a gente pensa na nossa criatividade, estamos pensando em nossas estratégias para o futuro. Quando pensamos o ser humano, estamos pensando o cognitivo e o afetivo. Não dá para desvincular um do outro. Tem uma filósofa, Agnes Heller, que diz ‘sentir é estar implicado’, então, a arte nos faz ficar implicados com a realidade. A partir dessa implicação, somos impulsionados… faz-nos agir”, disse Zelfa.

Danielber Noronha, aluno do 3º semestre em Jornalismo, disse que, devido à rotina ocupada, alguns pontos colocados por Lixo Extraordinário passam despercebidos. “É um choque de realidade grande que, às vezes, a gente precisa, para ver os problemas da sociedade, que existem pessoas que precisam ser notadas. A prática da reciclagem precisa ser incentivada, precisa ser colocada mais em questão, porque, de fato, ela é crucial para o andamento da coletividade,” disse o estudante.

O mediador do debate, professor Marcos Aurélio, disse aos alunos presentes que outras edições do Cine Debate FA7 serão organizadas. Ainda não há data prevista, que será divulgada com antecedência.

Carlos Holanda
3º semestre

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