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NOVOSEIXOS: O conhecimento da imagem em forma de narrativas

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Três profissionais da fotografia revelam os mesmos argumentos e preocupação com o sertão e o urbano

O urbano e o sertão retratados no homem, na terra e na cidade. Os fotógrafos Silas de Paula, Tiago Santana e Fernando Jorge abriram os trabalhos na noite de segunda-feira, 2, no Teatro Nila Gomes Soárez, para falar sobre o tema Narrativas Fotográficas, na Semana da Comunicação e Design da Faculdade 7 de Setembro (FA7).

Silas é fotógrafo e coordenador do Mestrado em Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele apresentou dois de seus trabalhos fotográficos: “Um sábado qualquer… no mercado”, onde retrata suas reflexões aceca do cotidiano da cidade e, a partir daí, obter a construção visual das relações entre pessoas e seus demais ao redor.

Estudantes lotaram Teatro Nila Gomes Soárez para debate sobre Narrativas Fotográficas

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Outro trabalho ainda não se encontra finalizado, mas aborda as narrativas da cidade, retratando de forma visual, a construção de um prédio. Silas deixou claro que o projeto “retrata suas angústias e dores”, pois assim como seu trabalho não se encontra finalizado, o prédio que fotografa, também não está.

O professor considera importante esse tipo de discussão dentro de um âmbito acadêmico, pois considera “as aulas na forma como são dadas hoje ultrapassadas. Essa oportunidade de interação e integração entre alunos e professores ou entre alunos e alunos hoje, é melhor do que uma aula expositiva”.

Ele lembrou que há uma relação entre a falta de preocupação com elaboração de uma imagem no mercado atual e como isso deve ser invertido. Silas deixa claro que “existe uma diferença entre olhar e ver”, onde olhar “é ter nos olhos a impressão e semelhança de algo’’ e ver “é prestar atenção nas coisas e é onde nos tornamos sujeito diante dessas coisas que estão por aí. Estamos deixando de olhar, pensar em uma imagem que nos afete mais do que algo que já tenhamos visto, não é só questão de imagem na realidade, mas como nos colocamos diante do mundo”. O professor finaliza sua fala com a seguinte frase “temos que voltar a ver”.

Entre os assuntos discutidos, os profissionais destacaram que é preciso estudo e dedicação para se obter bons resultados

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Tiago Santana é fotógrafo e fundador da Editora Tempo D’Imagem. Como fotógrafo se mostrou muito feliz pelo convite. Avalia como gratificante essa aproximação com os alunos. O fotógrafo mostrou alguns projetos e debateu sobre seus livros, entre eles destacou “Benditos”, ao qual dedicou 6 anos de sua vida desenvolvendo e, segundo o fotógrafo, foi o marco na sua carreira. Foi a partir dele que tirou “informações necessárias para minha formação e amadurecimento como fotógrafo e como pessoa”.

Tiago também destacou o livro “Céus de Luiz”, onde as fotos foram apresentadas acompanhadas com músicas de Luiz Gonzaga. Em entrevista, Santana deixou um conselho para os alunos que estão se formando e ingressando no mercado fotográfico: “Estudar muito, fotografar, exercitar muito, escolher bem o mercado que vai se inserir e refletir muito sobre o que está fazendo, não fazer simplesmente por fazer”.

Já Fernando Jorge é fotógrafo e professor. Sua produção fotográfica é de aspecto autoral e documental. Ele apresentou dois projetos: um, sobre suas vivências na cidade de Barbalha, acompanhando a movimentação de homens carregando o pau da bandeira, para a festa de Santo Antônio. O outro, retrata o tempo e a história do distrito de Cococi, em Parambu, no sertão do Ceará. Ele e o parceiro Rubens Venâncio mergulharam nas ruínas e no cotidiano, incluindo duas famílias que ainda resistem no local. Fernando também deixou um conselho para os alunos que estão se formando e ingressando no mercado de trabalho fotográfico: “adquirir conhecimento, se aprofundar nos estudos para ter uma base sólida e a partir daí produzir um material diferencial”.

Para a estudante Larissa Mara, do curso Design Gráfico da FA7, a palestra foi muito rica e interessante. “A partir das perspectivas dos fotógrafos, da para ter uma comparação com a dos alunos e as informações adquiridas servem para complementar os conhecimentos”, concluiu.

Talita Chaves
2° semestre

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