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RESENHA: Ilusões perdidas de um jornalismo atemporal

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Capa do livro Ilusões Perdidas; Editora Companhia das Letras (Foto: Reprodução)

Capa do livro Ilusões Perdidas; Editora Companhia das Letras (Foto: Reprodução)

Que Balzac foi um gênio da literatura isso não é novidade. Autor de grandes romances, o francês nascido no século XIX narra no livro Ilusões Perdidas, a história do jovem Lucien Chardon, que busca realizar seu sonho de se tornar um grande escritor conhecido. Vindo de uma cidade pequena, Angoulême, o jovem vive um período pós-revolução, onde os custos de impressão são altos e não existem muitos livreiros dispostos a publicar poesias e romances de um desconhecido qualquer.

O jovem então decide ir então à capital, Paris, tentar melhores chances de ser conhecido e parte com duas paixões; a literatura e a Senhora de Bargeton, sua amante. Mas passados alguns dias na formosa e atraente paris, ele logo se desfaz de sua paixão pela amante e sofrendo por falta de dinheiro, resolve entregar-se ao jornalismo, um modo de escrever e uma escada mais rápida para se tornar conhecido, não sabendo ele que essa seria a porta de entrada para a morte da paixão que lhe restava.

Lembrado por ser um escritor que divide opiniões sobre seu estilo, Honoré de Balzac escreveu obras que falam com propriedade sobre o jornalismo. Apesar de serem romances, os livros sempre demonstram muito realismo, pois fazem ilustrações existentes e não distantes da realidade vivida em sua época com linguagem fácil e acessível. Não é diferente em Ilusões Perdidas. Como disse antes, na história narrada, o jovem Lucien entra para o meio jornalístico com esperanças de se manter puro e com seus olhos poéticos para a vida. Ele só não esperava que fosse um meio tão sujo e difícil de manter a honra, um lugar onde a ética é quase inexistente.

E é essa a mensagem principal do livro. Balzac retrata a ética jornalística, a qual ele conhecia bem por exercer essa profissão e, mostra que mesmo no século XIX, período em que se iniciam as atividades do jornalismo na França, a visão conservadora de mundo não era dotada de honra e dignidade e que os meios e veículos de comunicação eram pautados por vários aspectos conhecidos nos dias de hoje; fofocas, exageros, sensacionalismo, falta de comprometimento com a verdade e total parcialidade.

O autor demonstra por meio da história do jovem Lucien a rede de intrigas que existia no jornalismo da época, as redações repletas de achismos e calúnias, um lugar onde as raivas pessoais eram mais importantes, onde as notícias não eram relevantes e as críticas, culturais e literárias, por vezes não eram dadas com sinceridade, mas sim baseadas no jogo de interesses do veículo para o qual trabalhavam. O livro apesar de ser um romance, é uma desconstrução do romantismo em relação ao jornalismo, culpando a profissão pela perca de caráter do personagem principal, tornando-se frio, sem brilho nos olhos e extremamente levado pela ganância. Deixando a impressão de que o ganho de um novo jornalista é a perca de um grande poeta.

Adailson Silva

4º Semestre

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