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JORNALISMO DE CIDADES: Melhor porta para entrar em jornal e cobrir o cotidiano

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Entrevistas

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Marta Bruno, 41, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter na editoria de Cidades e está há quase três anos como editora da área de Geral do Diário do Nordeste, que abrange as editorias de Cidade, Polícia e Regional

A cobertura de fatos e ocorridos no contexto local é denominada de Jornalismo de Cidades. É um eixo do jornalismo bem peculiar, pois abrange vários temas e para muitos jornalistas, é o berço do jornalismo e onde o jornalista vai conseguir o maior número de fontes e contatos em comparação com as outras editorias. Para falar sobre a área, o Quinto Andar conversou com Marta Bruno. Ela descreveu a rotina, a importância das redes sociais e outras novidades.

Marta Bruno tem uma longa experiência profissional no Diário do Nordeste (Foto: Arquivo Pessoal)

“O jornalismo de cidades é a melhor porta para entrar numa redação. É como você vai conhecer a cidade, como você vai sentir a cidade, onde vai ter um olhar diferenciado sobre a cidade, e é esse olhar diferenciado que vai guiar você para diversas áreas como a saúde, transporte educação.”

Atualmente, a tecnologia se faz muito presente e é necessária no cotidiano de uma redação. A interação com o público tem sido de grande ajuda no acompanhamento do que acontece na cidade, seja na sugestão de pautas ou na disponibilização de imagens para o aprofundamento de reportagem.

Marta afirma que a tecnologia é como uma faca de dois gumes, pois auxiliou na facilidade de se obter uma informação, mas não ajudou na apuração dos fatos. Por exemplo: uma foto que chega com uma informação deve sempre ser checada, se realmente foi tirada na cidade, o período, se foi tirada pela mesma pessoa que enviou. A apuração deve sempre ser a mesma.

Muita coisa mudou desde que ela iniciou seu trabalho na área, mas sua essência continuou, de ser um jornalismo de rua, onde o repórter ainda precisa sair, ir averiguar, entrevistar, seja na chuva ou no sol, mesmo com o advento tecnológico estando aí para facilitar.

Marta afirma que não existe mais uma estrutura para o conteúdo de impresso e web separadamente e que as novas ferramentas auxiliaram nesse processo de caminhar junto. Muitas vezes o repórter que faz a matéria para o impresso prepara o mesmo conteúdo para o portal, enviando para alguém na redação fazer a edição e publicar, ou até mesmo realizando transmissões ao vivo.

“A redação do Diário é para impresso e para web. O repórter que está na rua, manda foto, áudio, informação e aqui na redação ajustamos e soltamos na web”, disse.

Marta faz um alerta em relação aos assessores de imprensa, que às vezes se prendem apenas em enviar releases. A editora dá a sugestão de que seja enviado mais material como fotos e vídeos, ou se for o caso de alguma obra, uma maquete ou o projeto.

A editora comentou que a rotina do repórter de Cidades é bem prática de se resumir: não existe rotina. Habitualmente, o jornalista recebe uma pauta bem construída ao chegar à redação e vai atrás produzir a matéria. O tempo das fontes e o trânsito são alguns dos fatores que dificultam a produção de mais de uma matéria. Por isso, a preferência é de uma matéria, mas uma matéria bem trabalhada, informativa e pesquisada.

O jornalismo de cidades mudou isso é um fato. Antes existiam certos padrões em relação a informações e fontes, hoje a demanda por informações melhores e novas cresceu. Para montar uma matéria sobre a situação dos pescados na capital, não se usa apenas dados extraídos na Beira Mar, se busca informações em outros mercados, entrevistas com especialistas ambientais, uma vastidão de fatores para aperfeiçoar as matérias.

A redução do número de páginas do jornal auxiliou nessa mudança e hoje a matéria sai mais completa. “Antes tínhamos matérias sobre um buraco em uma rua, hoje temos que fazer um conteúdo mais geral”, exemplifica Marta.

“Hoje a gente trata melhor as matérias. O leitor quer mais matérias assim, ele não quer matérias de qualquer jeito, ele quer informação. O leitor tem informação de várias fontes, ele é bombardeado por informações o tempo todo, então a gente tem que dar além do que ele vê o tempo todo.”, observou.

Marta disse que um de seus objetivos e uma de suas motivações no trabalho é o futuro. E que é importante o registro histórico com qualidade, para que se por ventura vier a pesquisar sobre como era a cidade naquele período, ter informação e poder se imaginar na época.

Ela cita como exemplo uma iniciativa do Sistema Verdes Mares, o Projeto Tô na Praça, que toda semana vai a uma praça em Fortaleza. O momento é aproveitado para falar também sobre o bairro, dando oportunidade para as pessoas conhecerem que bairros são esses. Um projeto que “limitaria” o conteúdo acabou sendo transformando em uma forma de dar voz àquela localidade.

“O jornalista de cidades tem que estar acompanhando, observando o que acontece em sua cidade, esse olhar tem que ser colocado no texto com a sensibilidade que o jornalista vê a cidade”, diz a editora.

A dica deixada por Marta, para quem se interessar pelo Jornalismo de Cidades, é se desprender de expectativas e querer aprender, pois muitas situações que ele habitualmente não viveria, vai ter que vivenciar. E ela destaca que, por consequência, o profissional vai melhorar as habilidades de escrever e ter um olhar diferenciado sobre sua cidade.

 

Texto: Ítalo Falcão (5° semestre – Jornalismo)

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