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PERFIL: Relatos de um homem trans em busca do direito de ser

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Entrevistas

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Kaio Lemos vive o processo transsexualizador. De barba a mostra e voz masculinizada, devido à terapia hormonal, ele vive na pele os dissabores da ignorância social

Das poucas entrevistas que tive o prazer de fazer em meus quatro anos da faculdade de jornalismo, nenhuma me deu tanto “frio na barriga” quanto esta. Talvez pelo meu declarado desconhecimento dos pormenores da transsexualidade. O que me motivou a falar desse tema, todavia, além da curiosidade típica da profissão, foi imaginar que, de alguma forma, as dezenas de palavras a seguir poderiam cumprir uma função social, que, teoricamente, faz parte do meu metiê. Peguei meu bloco de notas, um celular, uma câmera digital emprestada, pus tudo na mochila, benzi-me e fui.

Há dois anos, Kaio Lemos ocupa cargo de conselheiro na Coordenadoria Municipal da Diversidade de Fortaleza (Fotos: Darlan Araújo )

Cheguei na hora marcada. Ali estava eu no local acertado: a “casa lilás” onde, hoje, funciona a Coordenadoria Municipal da Diversidade de Fortaleza, dentro do Parque das crianças, no centro da capital. Fui recebido com um sorriso gentil da mulher trans que abriu a porta. Era a lendária Thina Rodriguês, presidente da Associação de Travestis do Ceará. Entrei, disse bom dia a todos na sala, e chamei pelo nome do meu entrevistado. Ele se pôs de pé, veio em minha direção e acolheu-me com um sorriso e um abraço tímido. Em seguida, saímos da sala em busca do melhor lugar para a nossa conversa.

No Parque há bancos para sentar, mas Kaio sugeriu que nos acomodássemos na calçada baixa cercada de grama, bem ao lado do seu local de trabalho. Assim o fiz e, naquele momento, percebi a disposição dele para se abrir comigo. Festejei por dentro, lancei mão do bloquinho e caneta, posicionei o celular no modo gravador, então começamos o nosso colóquio. Durou uma hora, um minuto e quarenta e três segundos.

Penso que a melhor forma de, enfim, começar a tratar do perfilado é apresentá-lo a você: Kaio Lemos, 38, um dos sete filhos da dona Maria Auxiliadora, homem transgênero (pessoa cuja identidade de gênero difere da concepção biológica), acadêmico de externalidade antropológica pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), conselheiro na Associação de Transmasculinos do Ceará (Atrans-CE), está em processo de transição de gênero há mais de dois anos. A terapia hormonal rendeu-lhe barba e pelos corporais e uma voz sem vestígios de feminilidade. Ele, assim como milhares de pessoas no Brasil, milita em prol do respeito à diversidade de gênero, pois sente na pele “a dor e a delícia de ser trans”.

Soube de tudo isso logo nas primeiras perguntas. Algumas informações, aliás, já havia apurado em minha pesquisa que, como bom aprendiz de jornalista, fiz um dia antes. Trouxe na mochila, entretanto, uma curiosidade: queria saber o nome dele de registro. Ousei perguntar: E seu nome de registro? Respondeu rapidamente:

 – Então, a gente não fala. (…) É um nome que não nos pertence. É um nome que foi dado pela família, pela cultura, pela sociedade… Ele foi sugestionado, dado e registrado por essas pessoas, e esse nome não nos representa.

Quis saber o porquê de “Kaio”. Ele explicou que ganhou esse nome “de presente”:

 – Foi a minha primeira transição social: a transição do nome. Como ainda tinha muitos signos femininos, pois não tinha iniciado o processo de hormonoterapia, a leitura social (como as pessoas o viam) estava muito ligada ao feminino, e eu acabava sofrendo muito preconceito na universidade. Uma grande amiga que estudava comigo se irritava muito com essa perseguição, então me batizou. Ela me deu esse nome: Kaio, com K.

O nome de batismo está em processo de retificação há um ano. Na Justiça, o processo pode durar até cinco anos. Enquanto isso, o “nome social” (aquele escolhido pelo homem ou mulher trans para ser seu) continua não sendo aceits em instituições públicas, escolas, universidades, hospitais.

Homem trans assumido, milita em prol da visibilidade dos transexuais (Foto: Darlan Araújo)

De acordo com o dicionário, transição significa “passagem de um lugar, de um estado de coisas, de uma condição”. Já para Kaio, simboliza libertação. Liberdade de um corpo que o aprisionava, que escondia quem ele era de verdade. Uma travessia nada fácil, e que traz à tona uma necessidade reprimida durante várias fases da vida. E é sobre elas que irei dissertar agora. Tudo bem até aqui? Sim? Então, prossigamos.

Infância

Quando criança, Kaio levava a vida como “menina”, embora soubesse que “algo não se encaixava”. Ele permanecia sob as rédeas de um constructo social que associava, eminentemente, as características biológicas à identidade de gênero. “A gente recebe essa carga e essa pressão social de que nós somos mulheres, e isso está muito guiado pelo fator biológico. Porque a medicina entende que aquele órgão sexual (a vagina) é próprio de mulheres, ou que aquele órgão sexual (o pênis) é exclusivo de homens”. Nessa fala, ele contempla 99% dos transgêneros que não encontram liberdade de gênero nos primeiros anos de vida, pois seus corpos cumpriam um protocolo social.

Quinto Andar – Como era para você se olhar no espelho?

Kaio Lemos – Posso dizer que, na minha infância, não encontrei vestígios masculinos em mim, porque vivi uma infância como esse garoto que está passando aí agora. Uma infância totalmente já construída.

[Nesse instante, passava um menino de aproximadamente três anos, segurando as mãos dos pais – “heterossexuais” – bem na nossa frente. Nada mais apropriado, não é mesmo? Era falante, tinha pele negra e cabelos “pipoquinha”. Uma fofura.]

Kaio prosseguiu:

– Então, posso dizer que tive uma infância feminina. E não afirmo que isso foi uma escolha minha, foi uma escolha da sociedade. (…) Não consigo enxergar um ponto que diga: isso representa a minha transsexualidade, isso representa o ser homem trans. Mas, também, não descarto o fato de que, em determinadas situações, já estava ali a expressão da minha transmasculinidade. Automaticamente, vivenciei também esse processo de se olhar no espelho e não se reconhecer, mas vivi, ainda mais, o processo de silenciamento, que é o processo em que você não pode se expor, e sim sufocar, esquecer e, principalmente, matar (o desejo de querer viver coisas fora do universo que foi construído para ele, “menina”).

Adolescência

Como não era um adolescente transgressor, segundo ele, Kaio viveu mais essa etapa da vida como menina. Seu nome, vestes, costumes, características físicas… tudo o enquadrava no feminino. Signos que o faziam lembrar, o tempo todo, da sua inadequação. “Não era a representação da minha subjetividade. É importante lembrar que não vivi como mulher porque queria, mas por causa do constructo social”, fez questão de reafirmar, cheio de convicção.

[Na entrevista, passamos rapidamente por essa fase. Achei que havia mais a ser explorado, mas recuei. Quis poupar meu perfilado da dor da lembrança. E foi uma escolha sábia, acredito. Ele falou um pouco mais depois. Será que foi porque passou a falar de mudanças positivas? Nem tanto.]

 Fase adulta

Ela chega como um grito de liberdade, pois, naquele instante, era possível assumir a própria identidade de gênero. Junto, um choque de realidade. Trouxe o poder de escolha, a autonomia, todavia o preconceito, a indiferença, a perseguição. Conversamos, aqui, sobre a normatividade imposta pela sociedade, e da qual ninguém podia ficar de fora.

Há dois anos “em T” (expressão utilizada para indicar o uso de testosterona),
Kaio adquiriu signos masculinos como barba e voz masculinizada (Foto: Darlan Araújo)

Sempre bem fundamentado, fruto do conhecimento acadêmico e de suas experiências de vida, Kaio aponta enganos de um homem trans nesse terceiro ciclo da vida. “A gente costuma pensar assim: nossa, cheguei à fase adulta, cheguei ao momento em que posso ser quem eu sou. Só que, de novo, você é perseguido, sufocado, silenciado e, o pior de tudo, é jogado na margem”.

No elucidário, margem quer dizer “espaço situado no contorno externo imediato de algo; borda, limite externo, periferia”. Para a comunidade trans, se traduz em “falta de emprego, falta de educação, falta de saúde, falta de lazer, falta de relacionamentos”, afirma Kaio. Conclui, pela repetição das “faltas” que, de fato, falta tudo. Inclusive respeito, tolerância, amor fraterno.

[Nessa hora, respirei fundo. Me senti comovido e instigado, tudo ao mesmo tempo. Olhava para o Kaio e, de alguma forma, compartilhava da sua dor. Mais tarde ele me disse que quando você acompanha a transição de um homem trans, você passa a transitar junto com ele. Acho que, ali, percebi que eu já estava em curso. Me distanciando da ignorância.]

Com olhar sério, agora Kaio trata do quanto é difícil “se assumir”. Fala da pressão sofrida tanto no universo gay, quanto no trans, que é de “sair do armário”. Ele faz ressalvas justamente a essa expressão e às suas consequências. “As pessoas costumam usar esse termo ‘sair do armário’, mas prefiro dizer ‘se autoafirmar’. E se autoafirmar na sociedade, pode-se dizer, é um tiro no escuro. Você pode estar ‘se condenando’ à falta de emprego, de educação, de relacionamentos, a perda da família…”.

A fase adulta trouxe mais lucidez sobre quem Kaio Lemos queria ser (na verdade, quem sempre foi) realmente. Tal discernimento o levou a tomar uma decisão muito importante, e que o marcaria por toda vida: transicionar. No caso dele, a mudança dos signos femininos para os masculinos. Uma etapa composta de várias outras, e cuja significância não se resume a ter barba, voz grave, ou algo do tipo. Mas, em sentir-se feliz por se enxergar como sempre foi por dentro, embora o exterior mostrasse o contrário. Há mais de dois anos e meio, Lemos deu o primeiro passo. Ainda está “transicionando”. Agora, esse é nosso lugar de fala.

Transição

Comecei perguntando como era o processo, se era doloroso, quais sentimentos trazia… Kaio foi rápido na resposta:

 – Costumo definir o processo como “a dor e delícia de ser eu”, porque tanto existe dor, como existe prazer. A transição traz as duas coisas ao mesmo tempo. Qualquer uma, seja ela da travesti, da mulher trans, do homem trans, das pessoas não binárias. Você vive a DOR da rejeição social; do preconceito; da não aceitação; de não ter acesso a políticas públicas; de não poder construir o seu corpo e, muitas vezes, ser interrompido;; de não ter um relacionamento por não ser compreendido (às vezes as pessoas procuram a gente por fetiche, mas não querem viver um relacionamento). (…) Mas, a gente também experimenta o PRAZER. De ver nossos corpos se modificando; de, cada vez mais, se sentir você; de ter pessoas que te apoiam; de, apesar do preconceito, encontrar pessoas para se relacionar; de ver o prazer do outro e da outra que está nesse processo.

Aqui ele relata a dualidade de sentimentos do processo transsexualizador. Apresenta os dois lados da moeda. Nada mais justo. Deixei a resposta na íntegra para sinalizar sua importância. Ela escancara o que todo mundo fecha os olhos para não ver: o sofrimento causado pela ignorância e pelo preconceito, repito.

A essa altura, sei que você deve estar se perguntando quais são as etapas da transição, quantas são…. Por isso, vou dar uma forcinha deixando aqui o link de acesso à lei que determina o processo transsexualizador. Na página, além das etapas, ficará conhecendo, principalmente, os direitos de homens e mulheres trans em relação à mudança de gênero.

Ah! Sobre as fases que Kaio já se submeteu, até o momento, foi “apenas” a da terapia hormonal, que fez crescer barba e pelos corporais e alterou sua voz. Ele está prestes a concretizar outras duas. Ousei perguntar:

– Hoje você se identifica com o corpo que tem?

– Ainda não. Porque ele ainda está em processo de construção. Mas, digamos que eu já esteja em uma escala de 70% de identificação. Faltam algumas coisas pra, realmente, dizer com mais precisão que sim. Já estou com as cirurgias agendadas. Só aguardando as datas para realizar. Mas, é isso, ainda não estou satisfeito, não.

E o que falta para ficar 100%?

– Acho que não vai ter cem por cento, né. E, sim, uma situação que te deixa mais tranquilo, pra você se sentir mais feliz. Estão agendadas a mastectomia (remoção da mama) e a histerectomia (retirada do útero). Por enquanto, são essas que pretendo fazer. No momento, não penso em redesignação sexual (metoidioplastia e faloplastia), porque, no Brasil, ainda estamos vivendo uma fase de experiências… Respondeu bem-humorado. Até riu sobre os 100%.

Ri, também. Foi um trecho agradável da conversa, como tantos outros, claro. Estou quase no fim da entrevista. O relógio marca quase meio dia, a barriga já estava roncando (risos), e Kaio precisava trabalhar – e comer, também. Ainda dá tempo, porém, de falar de sonhos, né? Sempre dá.

Sonhos

Como estávamos com o tempo em poucos grãos, precisei ser breve e direto. “Fiz a Marília Gabriela (incrível)” e perguntei:

Um sonho? (Mas, aí, ele falou vários).

A “Casa Lilás” onde, hoje funciona a Coordenadoria Municipal da Diversidade de Fortaleza (Foto: Darlan Araújo)

– Tenho muitos (pensou e riu). Mas, inicialmente, meu sonho é realizar as minhas cirurgias. Elas são muito importantes pra mim, pois, ao fazer isso, também estou realizando os sonhos de outros. Estou abrindo portas para que outros também possam. Outro sonho é, cada vez mais, galgar minha carreira dentro da gestão. Vejo que preciso alcançar outros espaços, para que tragam resultados pra mim e para as outras pessoas. Tenho, ainda, o sonho de teorizar a questão da transsexualidade, de torná-la cada vez mais acadêmica.

A entrevista chega ao fim. Seguimos para a sessão de fotos. Kaio já estava mais à vontade. Posou para os cliques com sede de autoafirmação. O que a foto mostrava, naquele momento, é como ele se sente. Como é.

Disse obrigado e me despedi. Demos um abraço (dessa vez sem interferência da timidez). Ele foi trabalhar. Eu, comer e, em seguida, decupar o áudio que deu vida a esse texto. Como me sinto? Menos leigo, mais interessado. Por isso mesmo, a transmasculinidade será tema do meu TCC, um livro-reportagem sobre homens trans. Quero contar mais histórias desse universo. Darei notícias sobre ele em breve.

Perguntas que não quiseram calar:

Em que momento você percebeu que era um homem trans? Quais eram os sinais?

O conceito de “ser homem” é algo muito complexo, pois existe um constructo social em torno disso. Relacionamos muito a figura do homem ao estereótipo: corpo, pelos, músculos, roupas, biológico (o pênis em si), seu comportamento na sociedade (o homem viril, forte, que não chora). Então, responder a essa pergunta mexe com uma série dessas coisas. Durante muito tempo isso passou pela minha cabeça, que, por ser homem, precisava ser assim, me posicionar dessa forma. Mas, com o tempo, entendi que ser homem é autoafirmação. Percebi que ser homem não está exatamente nesses vestígios que a sociedade procura, nesses signos, mas que está na autoafirmação. Até porque não posso dizer que ser homem é ter barba, é ter voz grossa, é vestir roupa masculina, é ter um nome masculino… Se a gente consegue enxergar a variedade de homens que não tem esses signos, ou só têm parte desses signos, não vamos anular essa afirmação dele ser homem. Então, me entendo como homem, inicialmente, pela minha autoafirmação, não importando o meu estereótipo. Mas, isso levou um tempo, porque há um construto social. Ou seja, a tendência é pensarmos dessa forma. Porque a sociedade construiu a figura masculina e a feminina assim. A gente está sempre buscando os sujeitos por essa forma. A gente procura o homem viril, heterossexual, forte, musculoso, superdotado (sexual e biologicamente falando), o homem reprodutor… Como, também, a gente procura a mulher através dos signos construídos e representados na sociedade. (…) Caímos na malha da figura masculina do homem criada pela sociedade. Aí a gente rejeita a diversidade masculina, anula essa diversidade.

E seus pais?

Meu pai já é falecido. Ele morreu três anos atrás. Minha mãe mora aqui. É de Fortaleza também. A gente se vê muito pouco, se encontra muito pouco, porque ainda existem conflitos relacionados à transição. Passei mais de dez anos sem encontrar minha família, e depois que comecei a externalizar o processo transitório, foi que teve um pouco mais de contato, mas, ainda com muitos estranhamentos. Então, estou fazendo esse percurso mais lento, que é de se aproximar aos poucos. Porque sei que a transição não é só minha, ela de outras pessoas também. Até porque, a partir do momento em que você se envolve, conhece as pessoas trans, você passa a transitar, também. Pois você vai acompanhar esse processo. E aí podem ocorrer os choques. Choques de estranhamento, as dificuldades, as barreiras, os conflitos. Então, se já é difícil pra quem acompanha desde o início, imagine pra quem não acompanha. Tô tentando voltar a ter esse elo com a minha família, mas tô fazendo isso num trabalho bem tranquilo, assim, tentando também respeitar os espaços deles.

Sobre a transição?

Estou há dois anos e meio. O processo transsexualizador é muito complexo, tem muitas regras. Inicialmente, o objetivo maior é uma vida saudável. O segundo objetivo seria fazer o processo ocorrer de uma forma que possa apresentar resultados. Para isso existem ciclos, aí é importante vivenciá-los devidamente, para que os resultados apareçam de fato. Por exemplo, com quatro meses (aplicando testosterona), eu já estava totalmente modificado. Existem alguns segredos relacionados ao uso dos medicamentos farmacológicos, à pontualidade nos exames e no acompanhamento das taxas hormonais, uma vez que elas sofrerão variações e processos de inversão. Faço exames a cada três meses, e aí vou vendo onde estão surtindo os efeitos devidos. E, onde não estiver, vou trabalhar essa carência.

Você pensa em formar uma família?

Penso, sim, em família. Penso em ter filhos, também.

 

Texto e fotos: Darlan Araújo (8º semestre – Jornalismo)

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1 Comentário

  1. Não se pergunta nome de registro a uma pessoa trans. Achei falta de ética, e ética anda faltando muito no jornalismo brasileiro. Fica a dica pra pessoa, afinal ainda está em processo de aprendizado. Ah, e Thina não é mulher trans, é travesti. Identidade invisibilizada e alvo de ainda maior preconceito, portanto deve ser reafirmada.

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