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SOCIEDADE: Compreendendo a significância do ato de cooperar

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O cooperativismo em diferentes linhas de pensamentos, interpretando o conceito por meio de depoimentos e exemplos

Por meio das redes sociais a sociedade questiona, como o cooperativismo é interpretado na atualidade. Um termo comum, carregado de significâncias. O cooperativismo passa a ser visto e pensado, por internautas que param para refletir sobre o ato de cooperar.

Para a estudante Ítala Santos, 18, o cooperativismo é “um regime onde as pessoas, possuem os mesmos interesses sejam eles políticos ou sociais”. Já a turismóloga Magda Pires, 39, diz: “são as pessoas ajudarem umas às outras para chegarem a um senso comum, é cooperar para o bem coletivo”.

Para José Aparecido, o cooperativismo é um sistema que promove distribuição de riquezas (Foto: Ascom Sescoop-PB)

Cada um a seu modo, busca esclarecer o que de fato significa o cooperativismo. Assim, Lauro Ferreira, 28, recepcionista, afirma que: “é uma união de cooperações entre várias pessoas”. Por outro lado, o estudante, Albert Dutra, 19, afirma: “é uma ação de cooperar, é a realização de algo para um grupo”.

‘O cooperativismo não concentra riqueza, distribui. Logo, a ideia não é lucro mas passa pela possibilidade de sobra”, afirma José Aparecido, superintendente do Sistema OCB-CE, em Fortaleza. Percepções diferentes e ideias que se complementam, esta é a questão primordial para conceituar esse termo.

Logo, o cooperativismo é um movimento econômico e social, que por meio da ajuda de associados buscam promover melhorias para a população. É um modelo visionário que procura colaborar para o bem-estar geral, onde se obtém mais inclusão e menos desigualdades. Gerador de uma economia compartilhada, que por meio de um trabalho conjunto comprova que o desenvolvimento em equipe, pode beneficiar a todos de maneira mais eficaz.

Diferente de empresas capitalistas, as cooperativas se sustentam pela democracia, não existe um dono, mais sim associados, que em conjunto de maneira igualitária possuem o poder de voto para toda e qualquer decisão que venha a ser tomada.

Qualquer pessoa pode ser membro de uma cooperativa, indiferente de suas crenças, classe social ou quaisquer outros motivos, para participar basta ser por meio da adesão livre e voluntaria.

Hoje, no Ceará, existem nove ramos que constituem o cooperativismo local. São eles:

Agropecuário: reúne cooperativas de produtores rurais, agropastoris e de pesca. É um dos maiores ramos de cooperativas do Brasil, à qual, cuida desde ao preparo da terra até a comercialização final do produto;

Consumo: ramo que se dedica a compra e consumo de determinados artigos, buscando propiciar preços mais baixos e maior qualidade aos produtos;

Crédito: destinadas a promover poupanças, com intuito de ajudar no empreendimento dos seus cooperados, financiando de maneira justa, buscando suprir as necessidades dos associados;

Educacional: composto por grupo de profissionais que buscam promover uma educação mais qualificada. Reúne professores, pais e filhos, que anseiam por um ensino de boa qualidade e preços justos;

Habitacional: destinados à construção, administração e manutenção de conjuntos habitacionais, visando auxiliar aqueles menos favorecidos;

Infraestrutura: tem como objeto atender as necessidades básicas que correspondem ao fornecimento de energia, segurança, saneamento básico, entre tantos outros serviços que compõem as necessidades dos cidadãos;

Saúde: composta por uma equipe médica que buscam a preservação e manutenção da saúde no país. Segmento este o qual, o Brasil segue como pioneiro;

Trabalho: composto por um grupo de trabalho do mesmo segmento, que juntos buscam condições mais dignas de trabalho, reivindicando seus direitos;

Transporte: são cooperativas que atuam no transporte de carga e passageiros, atuando na prestação de serviço;

Na visão nacionais, também compõem os ramos do cooperativismo:

Especial: possibilita oportunidade para aquelas pessoas portadoras de necessidades especiais, ou menos favorecidas, a adesão no mercado de trabalho;

Mineral: responsável por todas as atividades que compõem o processo de mineração, que envolve extração,industrialização, comercialização, entre outras funções;

Turismo e lazer: atua na prestação de serviços de lazer, hospedagem, entretenimento. Visando prestação de serviços de qualidade e preços justos, que proporcionem momentos lúdicos aos usuários;

Produção: contribuem para a produção de bens e consumo de um ou mais tipos, Deste a realização de atividades mais simplórias, como também, a atividades exercidas em grandes empresas;

Exemplo de projeto desenvolvido por cooperativas

Um grupo de agricultores vive uma experiência diferente: o Projeto Família. É desenvolvido no Município de Senador Pompeu, distante 275 quilômetros de Fortaleza, proporcionando mudanças positivas, otimizando as expectativas dos morados da região Sertão Central do Ceará.

Idealizado pela OCB-CE (Organização das Cooperativas Brasileiras do Ceara), Cosena (Cooperativa agropecuária de Senador Pompeu Ltda.) e com o apoio financeiro da Cooperativa Italiana Canele, se deu início ao projeto.

Há 45 anos, o Sistema OCB/CE atua na organização de cooperativas do estado (Foto: Internet)

A região, de economia algodoeira se viu prejudicada no momento em que a praga Bicudo, tomou conta das plantações, deixando os agropecuários a mercê. Este inseto acabou servindo como um alerta, despertando os trabalhadores da necessidade da aquisição dos equipamentos tecnológicos para o desenvolvimento da produção. Como muitos não tinham a possibilidade de obterem tais aparelhos, e nem condições de eliminar a praga, ficaram em uma situação delicada.

Desta maneira, surgiram ideias para a elaboração do projeto Família, tendo como exemplos, a realização de esquemas, cujas atividades tinham como foco a família, visando suprir as necessidades do lar.

Os moradores de Senador Pompeu, não tinham ideia de custo, não sabiam quanto era a renda família total, o quanto consumiam, o quanto produziam e lucravam. Sendo assim, o projeto início com a realização de um mapa, onde foi apresentado o orçamento familiar.

Sustentado por um tripé, o projeto foi constituído da seguinte maneira:

1 – Aptidão da terra:  necessidade de saber o que produzir

2 – Aptidão da família: o que a família beneficiada sabe produzir

3 – Qual seria o mercado consumidor: o que o mercado deseja comprar

Tendo como base estes três pontos, que buscam explanar a necessidade do produtor, tomadas as decisões, iniciava-se o trabalho. De posse desse conhecimento, as famílias tendo a terra, sabendo o que produzirem, era posto em pratica o projeto.

A princípio as famílias receberam um capital inicial, que era investido na produção, no entanto, era preciso saber utilizá-lo. Desta maneira, os agropecuários receberam orientações, para administrar seu próprio negócio. Assim, iriam poder investir, produzir, lucrar e devolver o capital inicial emprestado.

Para participar do projeto eram necessárias as crianças estarem matriculadas na escola, e os adultos que não tivessem concluído os estudos, iniciarem um curso de alfabetização. Também foi feita uma divisão, onde cada membro familiar realizava uma tarefa. Assim, o engajamento da família na realização do trabalho propiciava melhores condição de vida, fazendo todos se interessarem pelo negócio da família, evitando o êxodo rural e a marginalização. Desta forma, o agricultor, virou sujeito da própria história, pois sabia o que estava fazendo, tendo o conhecimento do que estava ganhando, ou perdendo.

Foram também constituídos dois núcleos:

1 – a primeira fase: buscava organizar as propriedades para serem sustentáveis, produzir para se manter;

2- a segunda fase: a cooperativa iria entrar com a produção, beneficiá-la e vender fora, buscava agregar valores aos produtos.

José Aparecido relembra a história de transformação ocasionada por uma das famílias engajadas no projeto. Ele diz que em uma das visitas realizadas no primeiro núcleo, um dos agropecuários se apresentou de maneira tristonha, cabisbaixo, sozinho, com as roupas surradas. Na segunda visita, o mesmo agricultor aparentava estar mais feliz, sorridente, e foi acompanhado pela família. Em seguida foi feita uma única pergunta, que correspondia ao porque da sua mudança de comportamento, e porque sua família estava presente desta vez e da outra não.

O agricultor, então, disse: “da primeira vez, não dormia nem metade da noite e a outra metade ficava pensando o que ia fazer para minha família comer no dia, pois não tinha nenhuma reserva. Hoje, no entanto, tenho umas 300 galinhas, umas 15 ovelhas no cercado, o armazém cheio de mel, na época minha bermuda era rasgada, minhas filhas só tinham a roupa de ir para missa as outras eram estragadas e fiquei com vergonha de trazê-las. Minha família está bem vestida e alimentada, por isso os trouxe comigo”.

Outro exemplo corresponde às reuniões mensais realizadas pelas famílias envolvidas no projeto, para conversarem entre si e dividir o conhecimento. Por meio destas reuniões, era possível retirar exemplos, como a situação que um agricultor estava vivendo. Ele saia de madrugada para pegar as galinhas para abater e na correria acabava machucando uma ou outra, na hora da venda o comprador não queria, pois, a mercadoria já que estava machucada, assim, o agricultor mudou de tática ao invés de pegar as galinhas na madrugada passou a pegá-las no final da tarde na hora que iam dormir, o produtor separava as aves que iam para o abatedouro, deste modo, era colocado menos quantidade de comida e água. Como iriam abater as galinhas separadas no dia seguinte, não seria necessário dispor de muita ração. Lição da história, o agropecuário economizou ração, e ainda fez com que as galinhas se machucasse menos, obtendo maior êxito nas vendas. As reuniões aconteciam buscando beneficiar a todos, por meio da troca do saber, todos saiam ganhando, pois começavam a fazer uso das práticas bem-sucedidas.

O projeto Família de Senador Pompeu, ainda tem alcançado um número pequeno de pessoas, os avanços só não são mais rápidos, pois a cooperativa não tem financiadores suficiente para investir, sendo necessário aguarda as famílias participantes do programa devolverem o valor emprestado para ser investido em outra. Mais aos poucos os resultados são alcançados, a prova disto são as transformações que essas pessoas têm vivenciado, e a melhoria de vida que todos têm conquistado.

Assim, o cooperativismo representa a possibilidades de mudanças, propiciando ajudar ao próximo, introduzindo projetos como este, que visão contribuir com as comunidades menos favorecidas. Realizando o engajamento de todos para um bem maior.

 

Texto: Vitória Yngrid (5° semestre – Jornalismo)

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