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CINTHIA MEDEIROS: Da televisão para o jornal, um novo desafio

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Entrevistas, Video

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Ela tem sua base na TV, passagens por assessorias e chega ao impresso com 17 anos de profissão

Cinthia acredita que a TV cearense já deu grandes passos, mas ainda pode mais (Fotos: Fábio Lima/O Povo)

Cinthia acredita que a TV cearense já deu grandes passos, mas ainda pode mais (Fotos: Fábio Lima/O Povo)

Ao trilhar o que seria o caminho inverso do habitual para a maioria dos graduados em Jornalismo, Cinthia Medeiros chega pela primeira vez a uma redação de jornal impresso, após vários anos de profissão. Formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela passou por algumas emissoras de TVs, assessorias e agora está à frente da editoria Vida & Arte, do jornal O Povo.
Cinthia conversou com o Quinto Andar e falou sobre as mudanças no fazer jornalístico, de como se dividir entre redação e assessoria, e em relação ao tratamento dado à cultura pelas redações. Confira:

Quinto Andar – Do início da carreira, o que mudou no jornalismo até aqui?
Cinthia Medeiros: A relação do jornalista com o jornalismo. Quase como se o acesso maior que se tem hoje à informação tivesse tirado um pouco de nós, a responsabilidade sobre aquilo que estamos apurando. Quando comecei a minha carreira o Google não exista. Então, a gente tinha que checar as informações de uma forma muito mais intensa do que acontece hoje, quando muitas respostas vêm prontas em um clique. O fazer jornalístico continua o mesmo, os princípios também. A maior mudança foi na forma de se fazer, de se ter acesso à informação.

QA – A cultura é tratada pelas redações da forma ideal?
CM: Acredito que sim. Na verdade, o processo tem que ser inverso. O público, pelo próprio acesso à informação, tem muito mais possibilidade de saber o que ele quer ler e onde ele vai encontrar aquele tipo de conteúdo. Algumas pessoas têm preconceito de achar que um caderno de cultura não pode falar sobre o Zezé de Camargo e Luciano ou Ivete Sangalo, por exemplo. Acho que pode. E penso que a cultura pede essa pluralidade.

QA – E as colunas sociais dentro dos cadernos culturais?
CM: Isso também é uma pedida do público. Não acho que combine muito. Aqui no O Povo mesmo a gente tem o People, o Buchicho, que são seguimentos do jornal que têm uma pegada mais de coluna social. Mas, me surpreendo muitas vezes quando vejo pessoas pegando o Vida & Arte e indo direto para a página 2, onde está a coluna social da Sônia Pinheiro. Então, existe um seguimento de público que gosta de ler o que está nas colunas e, por meio delas, acaba se inteirando um pouco do que está acontecendo na cidade e também na cena cultural, uma vez que as colunas sociais, muitas vezes, trazem informações sobre um espetáculo que está acontecendo, um artista que passou pela cidade ou sobre um show. Mais uma vez vai para a questão da escolha do leitor. Se ele não se interessar por aquilo, tem a liberdade de passar aquela página e ir para a próxima, mas tem também o leitor que gosta. Então, a gente tem que estar aberto para essas possibilidades.

QA – A qualidade da TV cearense tem melhorado nesses últimos anos?
CM: Acredito que melhorou muito pela própria tecnologia que ajudou, que nos deixou ao nível das emissoras de São Paulo e Rio de Janeiro, mas ainda pode mais. No conteúdo ainda cabe muita coisa além do jornalismo quadrado que vem sendo feito, o factual – da matéria off, sonora, passagem e encerramento. A TV O Povo tem um pouco desse mérito. Ela trouxe um jornalismo mais reflexivo, mais analítico, que se diferencia do conteúdo geral das outras emissoras, até por que ela não tem que concorrer com uma grade imposta. Mas, muitos bons passos já foram dados. O nível dos profissionais tem melhorado. Tem muita gente nova no mercado fazendo direito.

QA – As faculdades estão preparando bons jornalistas culturais?
CM: Acredito que as faculdades estão preparando jornalistas. Se eles vão ser bons e se vão se destacar no seguimento que eles escolherem, vai de cada um. Porque as mesmas faculdades formam excelentes e péssimos jornalistas. Elas recebem alunos de muito caráter e outros de caráter duvidosos, que vão ter desvios éticos, como em qualquer profissão. Na minha época, a gente não tinha cadeira de jornalismo cultural. Não sei como está hoje. O próprio jornalismo especializado não existia. Mas, é ao profissional que cabe se especializar, lembrando, acima de qualquer coisa, que ele é um jornalista. Independente se ele está cobrindo economia, política ou a área cultural.

Imagem de Amostra do You Tube

QA – Assessoria e redação combinam?
CM: Eu já tive essa experiência achando que dava, mas não dá. É conflitante. E digo isso na maior humildade. Fiz por necessidade. Ainda não conquistamos o salário merecido e, então, às vezes, o jornalista é empurrado a desempenhar mais de uma função, para completar o orçamento mesmo. Eu passei por isso e conheço vários colegas que fazem isso, uns de uma forma mais sutil, outros de forma lamentável, mas acho que empurrados pela necessidade de outra fonte de renda. Mas, não é o ideal.

Estélio Carvalho Neto
5° Semestre

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