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CLÁUDIO RIBEIRO: Quanto mais sabe, mais quer aprender

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O profissional vem construindo uma trajetória marcante no jornalismo cearense

Cláudio Ribeiro faz parte do Núcleo de Reportagens Especiais do jornal O Povo e é um dos jornalistas mais premiados do Brasil (Foto: Clara Jovino)

Cláudio Ribeiro faz parte do Núcleo de Reportagens Especiais do jornal O Povo e é um dos jornalistas mais premiados do Brasil (Foto: Clara Jovino)

Ele começou a carreira jornalística em 1991 na editoria de Polícia, mas seu desejo mesmo era ir para a de Cidades. Considera fundamental para qualquer repórter, pois oferece uma bagagem de variedade de temas muito importante.

Atualmente, Cláudio Ribeiro faz parte do Núcleo de Reportagens Especiais do jornal O Povo e é um dos jornalistas mais premiados do Brasil. Em entrevista ao Quinto Andar, revelou que acredita que é possível, sim, fazer jornalismo policial sem ser sensacionalista e que nada substitui a interação e a conversa na apuração de informações.

Quinto Andar – Como você avalia o jornalismo feito nas editorias de cotidiano atualmente? Comparando com outras épocas, o que melhorou e o que piorou?
Cláudio Ribeiro: No caso do jornal O Povo a mudança foi muito grande quando se criou a territorialização por núcleos, no início dos anos 2000, que agrupou jornalistas em núcleos com assuntos próximos. O Núcleo de Cotidiano passou a agregar Esportes, Noticiário de Interior e Ciência e Saúde. Isso mudou também a estrutura do conteúdo da editoria. Quando veio a estrutura online, isso se ajustou mais ainda, inclusive na forma como isso é apresentado no impresso, muita coisa que sai no online não vai sair no impresso, porque essa velocidade e o acesso a informação é muito diferente hoje em dia, muito mais rápido, muito mais próximo. O jornalista não pode dar notícia velha, que já foi publicada ontem no online, então o impresso mudou o perfil. O cotidiano principalmente precisou agregar esse conceito, de que o impresso tem que ser mais analítico e mais aprofundado. Isso agrega um novo conteúdo, que não é um conteúdo só informativo, é aquele em que você tem uma leitura do fato e não só a apresentação do fato.

QA – A editoria de Cidades é constantemente submetida à pressão direta do leitor por abordar o maior número de assuntos. Qual a preparação que um jornalista tem que ter para ser um bom repórter de cotidiano?
CR: O núcleo de Cotidiano é uma área que o repórter aborda tudo que está próximo do leitor: casa, habitação, segurança, transporte, saneamento básico, tudo isso que está muito próximo é o que a gente chama de Cotidiano, um termo muito próprio. Então, acho que o repórter precisa conhecer a cidade, circular e transitar por toda a cidade, para ver o que as pessoas fazem.

QA – As novas tecnologias trazem mais vantagens ou desvantagens para o repórter de cotidiano?
CR: Entendo que as mídias sociais são uma grande ferramenta de trabalho. Elas são uma troca de experiências, um recebimento de informação, mas não podem ser uma dependência. Numa situação de cotidiano, o repórter precisa ir para a rua. Ele não pode depender das redes sociais para apurar informações, fazer entrevistas… Tem que sentir aquele calor, poeira na calça, pé na lama e circular conversando com as pessoas, interagindo mesmo.

QA – Muitas vezes o jornalismo policial é considerado sensacionalista. O que você pensa a respeito disso? É possível fazer jornalismo policial sem ser sensacionalista?
CR: Acho que sim, é possível. As histórias são muito fortes, são apelativas por si só, trágicas por si só. Você não precisa fazer com que ela tenha ainda mais desgraça do que já tem. Um caso de segurança pública, você consegue traduzir numa discussão, num debate, contar uma história e fazer daquilo uma notícia que tenha uma relevância e que não precisa ser apelativa.

Imagem de Amostra do You Tube

QA – Na sua trajetória profissional, o que mais contribuiu para se destacar no jornalismo? Como obteve sucesso nesse mercado tão competitivo?
CR: Eu não sei não (risos). Acho legal demais ter essa afeição do prêmio. É uma medição do que você faz de legal, e não pode fazer aquilo como sua obsessão, simplesmente acontece, está bem feito e vai ser merecedor. Você tem que conduzir normalmente, não pode se acomodar nessa vida de notoriedade, tem que estar sempre buscando ser curioso, interessado, contar boas histórias. Tem uma frase que é muito sábia: “Quanto mais sei, menos eu sei. Quanto mais sei, mais eu quero aprender”.

Clara Jovino
5º semestre

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