SEMANA DA COMUNICAÇÃO 2015: Dos anões da Branca de Neve à vida de escritor

Inácio Loyola Brandão costura personagens e histórias nas tramas do cotidiano

Ele se descobriu escritor quando, ainda criança, “magro e feio”, segundo suas próprias palavras, e chamou a atenção de todos na sala de aula ao ter o texto elogiado pela professora. Inácio de Loyola Brandão havia reescrito o final de Branca de Neve e, em um ato de coragem, “matou” todos os sete anões com cogumelos envenenados. Essa crônica de sua história de vida marcou, com um bom humor que perdurou por mais de 1h30min de palestra, a segunda noite da Festa Literária 7 de Setembro, a FLI7.

Inácio destacou que a literatura tem quatro pilares (Foto: Layana Vale)

Inácio destacou que a literatura tem quatro pilares (Foto: Layana Vale)

O escritor se classifica como um contador de história, um narrador. Dos 43 livros já escritos por ele, o que mais gosta “Mel de Ocara”, conta histórias de um município cearense, distante 86 km de Fortaleza. Lá, anos atrás, conheceu duas senhoras durante uma palestra itinerante da Bienal do Livro do Ceará. Uma delas, analfabeta, perguntou como ele colocava cada letrinha na página do livro. Tempos depois, quando estava fazendo palestra em outro estado, foi tomado de surpresa por levarem a mesma senhora até ele, já alfabetizada. “Vale a pena escrever. Sempre alguém vai chegar lá”, diz Brandão.

Ele destacou para o auditório, praticamente lotado, que a literatura tem quatro pilares: imaginação, memória, invenção e fantasia. Com essa base, sua verve pela escrita ele constrói e reconstrói a partir do que vê em casa, na vizinhança, nas ruas. Assim, Brandão segue montando personagens que, na sua constatação, não são feitos de uma pessoa só, mas de um conjunto. E esses personagens dão vida aos livros. Tudo isso para ele é uma matemática bem simples. Afinal, “é muito fácil escrever. Só não escrevem que não quer”.

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